Um grupo na internet com membros de várias faixas etárias de idade, diversas profissões e com certeza, diferentes opiniões e ideologias. Mas com algo em comum: o amor por Nova Venécia. E foi isso que fez o João Geraldo Coser, o Geda, e Wander Ladeira abrir uma página no Facebook, com fotos, histórias e muitas declarações apaixonadas sobre a cidade, que traz um povo predominante de imigração italiana, mas também negros e descendentes indígenas.
Criada em outubro de 2013, a página Nova Venécia – História, Memória e Imagem, apresenta cerca de 7 mil fotos antigas e narrativas da história veneciana, indo dos primeiros habitantes, a imigração, emancipação e muitas datas marcantes para a cidade, que hoje tem cerca de 50 mil habitantes.
Com 17 mil membros, a fotografia mais antiga postada na página é da antiga ponte ainda de madeira, datada da década de 20. A travessia já conta com a terceira construção, e ainda é a principal via de acesso, que liga duas partes do centro de Nova Venécia, sob o rio Cricaré.
“Decidi que a página precisava ser criada, no dia em que necessitei de uma imagem antiga da cidade, e o preço da fotografia ficaria em R$ 80. Fiquei revoltado. Alunos, escolas, faculdades precisam destas gravuras também, da nossa história. Achei um absurdo e vi que podíamos mudar isso”, revela João Coser.
Na página, a fotografia da primeira turma de normalistas, do Colégio Veneciado, em 1965, estampa a graciosidade e a conquista da época. Dando continuidade na história, o Cine Universal Nova Venécia aparece exuberante na página, evidenciando que a capacidade era para 160 pessoas, em 1945. E quando a cidade comemorava 10 anos de emancipação, lá está a imagem, do desfile pela Avenida Vitória.
No esporte, uma das raridades é o time Veneciano em 1959, e também, do Enxuga Litro F. C. (1970), comandado por Augustinho Bulian e Theobaldo. Também, a inauguração da ponte Dr. Christiano Dias Lopes Filho, em 1968, e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em 1972. Outra preciosidade do grupo é uma gravura de 1970, no desfile escolar, tendo de fundo, a extinta Casa dos Retalhos.
O Casarão dos Escravos em 1975 e a Banda Marcial do Colégio Veneciano são outros destaques das páginas, que trazem recordações para lá de emocionantes.
“É um meio de comunicação que tem feito a diferença e trazido resultados. Uma pessoa que está morando em Goiânia, conseguiu encontrar seus parentes, que há mais de 40 anos não via, através da página. Com dez dias localizamos os familiares para ela, e hoje os laços entre eles estão estreitados”, conta Geda, que revela sua fotografia favorita: “É uma de 1940, onde mostra um panorama de Nova Venécia, tendo ao fundo, a igreja de São Marcos, Matriz”.
Segundo maior do Estado
A página Nova Venécia – História, Memória e Imagem é o segundo maior grupo do gênero no Estado, perdendo apenas para o Fotos Antigas do Espírito Santo, com 60 mil membros, e com um ex-morador de Nova Venécia, Altair Malacarne como fundador.
“Os alunos das escolas utilizam muito a página também. É uma fonte de pesquisa e os professores apoiam. Temos também a missão de ajudar. Na enchente de 2013, quando uma família teve a casa derrubada pelas chuvas, foi feita uma ação entre membros do grupo, e conseguimos erguer esta casa, que fica no bairro Altoé”, revela.
Tendo ainda mais de duas mil fotos para serem publicadas, Geda conta que se sente muito orgulhoso por poder contribuir e também sanar dúvidas com depoimentos e fotografias da página.
“Tem uma imagem de uma locomotiva, formalizada até pelo órgão público, afirmando que é uma fotografia de Nova Venécia. Impossível ser. Em 1941 não existia energia aqui, e atrás da locomotiva, tem o transformador”, ressalta.
Além de gravuras dos próprios membros do grupo, Geda buscou acervo para a páginas na Biblioteca e com familiares da região veneciana.
“É uma forma de matarmos a saudade do que vivemos e com isso, quem não viveu, passa a conhecer o que já se aconteceu aqui. Também, é um local onde o veneciano que não mora mais aqui, poder conhecer melhor a nossa história e ainda, reviver os bons tempos. Enfim, é um verdadeiro momento de descontração e encontros com o passado”, esclarece.
Uma tarefa difícil, porém necessária da página, é divulgar sobre o falecimento de pessoas conhecidas, levando informação para quem mora longe de Nova Venécia. Tendo momentos tristes e alegres, o importante é que a página cumpre o propósito, e consegue deixar qualquer um atualizado sobre a história do Município, levando à população, um arsenal de fotografias emocionantes e marcantes de épocas passadas, e jamais esquecidas.







