Perto de chegar 2019, as expectativas de novas carreiras iniciam para Néia e Zelma, que decidiram inverter os fatos e buscar formação acadêmica, depois dos filhos criados. Uma delas já é até avó. Já o objetivo da entrevista da Maria das Graças, é mostrar que a dupla que acabou de se formar está no caminho certo e promissor. #VãoComTudoMulherada
O início de um novo ano sempre traz outras expectativas e renovações para muita gente. Entre os fatores que colaboraram de forma significativa para duas entrevistadas desta matéria, é o término da vida universitária, conquistado mesmo depois de terem os filhos criados. A Gilceneia Lessa Pereira, a Néia, 49 anos, é técnica de enfermagem, atua no posto de saúde no bairro Aeroporto, é concursada há 10 anos na rede municipal. Com dois filhos, de 15 e 10 anos, a vez de realizar o desejo foi dela. A Zelma Hoffman, 53, que já é até avó pela quinta vez, é mãe de três filhos com ensino superior e decidiu em 2015, que a vez de vestir a beca, era dela. Gerente comercial há 10 anos, ao invés de esperar a aposentadoria, a veneciana preferiu investir em novos planos.
O fator maturidade, experiência de vida e a vontade enorme de aprender foram decisivos na hora da Néia e da Zelma optarem por uma nova profissão. A diferença é que dessa vez, as duas realizaram um grande sonho e seguiram rumo ao nível superior acadêmico. Agora elas são pedagogas desde o segundo semestre de 2018. A terceira entrevistada? A Maria das Graças Monte Belo Schineider, 54, é graduada há seis anos e já atua na área. O depoimento dela tem objetivo de mostrar para as recém-formadas, que o investimento na tão sonhada carreira dá certo, basta tentar e seguir em frente.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), na última década cresceu em 182% o número de pessoas com mais de 50 anos que ingressaram na vida universitária. O indicativo está ligado, na maioria das vezes, à melhoria da qualidade de vida e maior expectativa para a longevidade.
O sonho realizado da Néia
“Eu sou vacinadora do postinho do Aeroporto, desde que a unidade foi inaugurada. Todos me conhecem por ali, gosto do que faço, mas faltava algo, eu tinha o sonho de fazer uma faculdade. Depois de 26 anos que terminei o ensino médio, ingressei na faculdade. Escolhi pedagogia. Disputei o vestibular de igual para igual com os jovens, passei e ainda ganhei bolsa de 50%. Venho de uma família pobre, com sete irmãos e que somente eu havia terminado o ensino médio. Agora dei um passo maior. Tenho terceiro grau completo. Minhas notas sempre foram boas na faculdade, eu estava ali porque queria, não era nada obrigado, era por prazer mesmo. Já estou perto de aposentar na área da saúde. Só que quero mais, já estou matriculada em duas pós-graduações e próximo ano, espero já estar atuando na área da educação Eu quero lecionar, coordenar, atuar na pedagogia. Espero que em 2019 eu passe em um concurso, acredito em mim. O ano novo que me aguarde”
Gilceneia Lessa Pereira (mais conhecida como Néia), pedagoga

Chegou a vez da Zelma
“A minha definição na formatura era: eu estava mais feliz que pinto no lixo. Fui oradora da turma. Em minha sala tinha a geração mais nova, com idade para serem meus filhos. Não vi dificuldade no relacionamento, acho que havia soma entre a gente. Eles passavam para mim o que a juventude tem, a tecnologia é uma delas. Já eu, tinha a experiência de vida. Fiz amizades para a vida inteira. A busca de realizar um sonho, mesmo próximo a me aposentar, trouxe novo sentido para mim, novas expectativas. Mas antes disso tudo eu escolhi encaminhar meus filhos, os três fizeram faculdade e estão no mercado de trabalho. Tenho cinco netos. Tive que optar, quando temos filho cedo, ou é você, ou são eles. Agora chegou a minha vez. Eu estou pronta para entrar no ano de 2019 com tudo, a pedagogia traz um mercado amplo, já estou matriculada em duas pós-graduações e se Deus permitir, vou passar em um concurso público.
Zelma Hoffman, pedagoga

Atuando na profissão
“Estar em sala de aula sempre foi meu sonho, mas era uma realidade distante da minha. Casada, com duas filhas e com as mensalidades altas das universidades, não tinha como eu frequentar o meio acadêmico. Também, não dava para sair de casa todo dia à noite, deixar as crianças e ir para a faculdade. Mas quando surgiu uma faculdade que não havia necessidade de estar lá todos os dias, abracei a oportunidade. Minha caçula tinha dois anos, em dias de aula, o pai a levava na faculdade para eu dar o remédio, ou eu ia em casa, não foi fácil. Eu já trabalhei no Lar de Abigail, na parte administrativa, era diretora. Naquela época eu tinha o Magistério, mas foi exigido a pedagogia. Voltei a estudar depois de 33 anos de término do Magistério. Hoje, com seis anos de formada, posso dizer que a sala de aula é minha realização, é o que amo. O que era caro, distante e quase impossível, se tornou um sonho consumado. Valeu a pena ter voltado a estudar, minha família conta também com o dinheiro do meu trabalho para pagar as contas. Isso é gratificante, é a certeza de que sou útil naquilo que sou apaixonada em fazer, que é ensinar meus alunos”
Maria das Graças Monte Belo Schineider, pedagoga

Agradecimento
As três entrevistadas são formadas em pedagogia na Uniube. A Notícia agradece a instituição por apoiar a reportagem.






