quinta-feira, junho 18, 2026
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Justiça manda prender 15 PMs por suspeita de corrupção e elo com facção no ES

MPES aponta existência de um esquema estruturado de corrupção, sustentado pelo recebimento de propinas de facções criminosas, desvio e revenda de drogas apreendidas, lavagem de dinheiro e prática de agiotagem

O Tribunal de Justiça (TJES) decretou a prisão preventiva e o afastamento de 15 policiais militares investigados no inquérito da chamada Operação Argos, que investiga um esquema estruturado de corrupção, sustentado pelo recebimento de propinas de facções criminosas, desvio e revenda de drogas apreendidas, lavagem de dinheiro e prática de agiotagem no Espírito Santo. A informação foi divulgada nesta terça-feira (9), pelo Ministério Público (MPES).

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A decisão atende ao pedido do MPES, que argumentou a necessidade das medidas para garantir a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal.

A denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPES) e pela Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar, detalha toda a operação finaceira da organização criminosa envolvendo os agentes públicos.

Segundo a decisão, a gravidade dos fatos e a sofisticação da organização criminosa justificam a segregação cautelar dos réus. O tribunal também reconheceu que a manutenção dos militares em funções administrativas comprometeria a disciplina e a credibilidade da instituição, determinando o afastamento integral de qualquer atividade policial.

Deflagrada no dia 30 de julho em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, em parceria com a Corregedoria da Polícia Militar, a Operação Argos reuniu simultaneamente as Operações Íris e Lúmen, destinadas à investigação de pessoas físicas que atuavam com os militares. Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão e afastamento cautelar de função pública.

As investigações, respaldadas em mensagens e dados obtidos na chamada Operação Pardal e em análises bancárias, apontam que os 15 militares integravam uma organização criminosa que, de 2021 a 2025, transformou a atividade policial em fonte de renda ilícita.

Na denúncia e na cota à denúncia oferecidos à Justiça, que foram aceitos, a Justiça determinou a prisão preventiva de todos os investigados, com manutenção do afastamento funcional cautelar. Para nove deles, o MPES pedia a ratificação das prisões já decretadas; para outros seis, solicitou a revogação de medida de menagem (liberdade vigiada) e a conversão em prisão preventiva.

Também foram pleiteadas medidas patrimoniais: indisponibilidade de bens, bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras, restrição de veículos e embarcações, registro de indisponibilidade de imóveis, bloqueio de ativos financeiros e penhora de precatórios.

Essas providências, segundo o MPES, visam garantir o ressarcimento dos danos, estimados inicialmente em mais de R$ 2 milhões, além de evitar que os réus ocultem patrimônio. Esse valor do dano é preliminar e será consolidado após a análise definitiva dos dados financeiros.

O Ministério Público pediu, ainda, desconto cautelar de 30% dos salários dos policiais depositados em conta judicial e a possibilidade de liberação de bens que se mostrem excessivos em relação ao valor do dano.

O órgão ministerial pediu que, ao final do processo, os acusados sejam condenados pelos crimes descritos e percam todos os bens ilícitos. Requer também a fixação de indenização por danos patrimoniais e morais coletivos, bem como a perda da função pública como efeito automático da sentença.

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