Devoção iniciou com uma capelinha e a imagem de Santo Antônio, que ainda permanece no altar da comunidade

Uma grande festa está sendo preparada para a comemoração dos 120 anos da Igreja Santo Antônio, localizada no Córrego da Serra. A primeira capelinha foi erguida em 1898, pelo italiano Angelo Piobin, em um terreno, após a ponte da propriedade de seu Argiro Wesphal. Erguida no século XIX com esteios de madeira, a pequena construção deu início a devoção centenária de grande parte da população veneciana.
A estrutura era muito pequena e cabiam duas pessoas dentro dela. No século XX, a família do italiano Angelo Piobin voltou para a Itália, e o lote onde estava construída a capelinha, foi vendido para o seu Claudiano Rodrigues do Nascimento, pai de seu Zenóbio Líbano Rodrigues, que era casado com a dona Rosa Carloni.
Já em 1920, a nova estrutura foi construída no mesmo local onde o templo se encontra hoje. A capelinha deu lugar a uma nova estrutura, idealizada pelo seu Claudiano, que ergueu a Igreja de Santo Antônio também em sua propriedade.
Tudo foi montado com uma estrutura rústica, esteios de madeira e paredes de estuque. A capela então deu lugar a primeira igreja de Nova Venécia, na época em que o atual município ainda pertencia a São Mateus, e era conhecido como Barracão. Uma curiosidade é que, o Leão de São Marcos, que veio para Nova Venécia, ficou guardado na Igreja Santo Antônio, já que a Matriz de São Marcos ainda não tinha sido construída.
Famosa na época, a Igreja Santo Antônio já cultivava os tradições e festejos religiosos, que atraia fiéis para rezar o Terço. Uma vez ou outra, algum padre vinha de São Mateus, para celebrar as Missas ali, já que não existia ainda um vigário fixo e muito menos uma Paróquia.
A Igreja Santo Antônio emprestou dinheiro para a construção da Matriz de São Marcos, foram 300 mil réis. O fato está evidenciado no livro História da Paróquia de Nova Venécia, de autoria do padre Carlos Furbetta.
Em 1940 foi construída a atual igreja, e até os tijolos foram feitos por fiéis, que pelas redondezas moravam. Seu Zenóbio os irmãos Osório e Waldemar Tiburtino e seu Ivo Frangini, que é descendente de Angelo Piombin, fundador da primeira capela de Santo Antônio, são os principais nomes que ajudaram a erguer o templo.
O altar, Jacinto Boldrin, com auxílio do irmão de seu Zenóbio, Rui Rodrigues, fabricaram a peça em 1950 e até hoje, a arte em madeira, continua no mesmo lugar. O coreto antigo servia de escola de alfabetização e catequese, ambos comandados pela professora Laudir Zaché, que tinha o pai, Augusto Zaché, como um dos líderes da igreja e rezador. Não há como falar da comunidade sem citar o nome de outros líderes, a dona Chula, muito contribuiu com toda história do local.
A Igreja de Santo Antônio se tornou uma Comunidade Eclesial de Base, apenas em 1995, mesmo sendo a primeira igreja construída em Nova Venécia.
Hoje em dia, uma das principais lideranças da comunidade é Matilde Cleta Veridiana dos Santos, mais conhecida como Tide.

Palco de muitos casamentos
Como a idealização da Igreja Santo Antônio surgiu com a construção de uma pequena capelinha em 1898, as festas, celebrações e Missas marcam uma época de quando Nova Venécia ainda não era município.
A Igreja Santo Antônio se desenvolveu junto e antes do que é a cidade veneciana. No início de tudo, as rezas eram feitas pelos moradores que próximo ou que frequentavam a capela.
Duas das netas do seu Claudiano, filhas de seu Zenóbio, casaram na Igreja Santo Antônio. Uma delas, a dentista Maria Lúcia Rodrigues de Melo, 59 anos, e 24 de casada. Ela escolheu junto com o esposo, o Pedro Alves de Melo Neto, trocar alianças no dia 30 de julho de 1994, naquele espaço em que seu avô, doou para a igreja. “Foi muita emoção ter podido casar ali. Um local que faz parte da história da minha família e de uma grande parte dos venecianos. Meu avó construiu a igreja com outros imigrantes italianos. Esse Templo significa tradição, cultura e nos traz muitas boas recordações”, diz Maria Lúcia.
De acordo com a filha de seu Zenóbio, os laços dela com o padroeiro vão mais além. Um de seus dois filhos, o João Pedro nasceu no dia de Santo Antônio” “Veio ao mundo de parto normal, nada programado. Costumo dizer que Santo Antônio ficou enciumado, porque o nome escolhido do meu filho, é de dois santos festeiros do mês de junho. Acho que ele falou: me aguardem, vocês nunca mais vão esquecer de mim. Daí nasceu o João Pedro no dia 13 de junho”, conta aos risos, Maria Lúcia.
O casamento da Maria Lúcia foi celebrado e festejado com as bênçãos de Santo Antônio, padroeiro que sempre fez parte da fé de sua família. “A devoção chegou pelos meus antepassados. Precisamos preservar este patrimônio histórico, acho que está faltando isso hoje em dia, esse local merece”, conta.
A outra filha de seu Zenóbio que também casou na mesma igreja que a irmã, foi a Maria da Glória Rodrigues, no dia 15 de abril de 1974. Santo Antônio abençoou a união da veneciana com Lucyaine Barcellos Bastos, Ciane. Não há registros fotográficos, pois todas as fotos queimaram, não podendo ser reveladas.

Imagem de Santo Antônio centenária
A imagem de Santo Antônio também é da mesma época em que a primeira capelinha foi construída, esculpida na madeira. Em 1898, a escultura foi encomendada ao italiano, Celestino Rizzo.

Celebrações, Missa e apresentações
A festa começa neste domingo (10) e vai até a terça-feira (13), data que é comemorado o Dia de Santo Antônio. Missa, celebrações, apresentações do Coral Italiano Augusto Zaché, do Grupo de Dança Afro, do Bonfim, e a benção dos pães estão na programação, que ainda traz almoço, comidas típicas, e a fogueira de Santo Antônio.
Programação
DOMINGO 10 de junho
10h30 – Procissão com a centenária imagem de Santo Antônio, saindo do local onde existiu o primeiro oratório (Propriedade do Pepeu).
11h – Celebração – Participação da comunidade do Bonfim. Almoço. Apresentação do músico Paulo Rodrigues (Banda UH).
TERÇA-FEIRA – 12 de junho
19h – Celebração – Participação da comunidade São Cristóvão e Nossa Senhora das Graças (Bela Vista)
QUARTA-FEIRA – 13 de junho (Dia do Padroeiro)
18h – Procissão luminosa com a centenária imagem de Santo Antônio. Saída Rua Travessa Ernesto Ayres Farias (início do Asfalto)
19h – Missa com Padre Orlando Uliana. Participação comunidade Santo Antônio, Coral Italiano Augusto Zaché, Grupo de Dança Afro do Bonfim, benção dos pães, acendimento da fogueira de Santo Antônio e rifa de um garrote.






