O historiador e professor Rogério Frigério Piva é autor de capítulo de livro, sobre o juiz e professor Dr Adalton Santos.
A obra, “Afro Brasileiros no Espírito Santo Memórias e Trajetórias Educacionais”, traz 20 páginas narrando a vida de Dr. Adalton Santos, intitulada: “Ao Mestre, Com Carinho! A Trajetória de Adalton Santos (1919-1971) De Professor e Juiz de Direito à Patrono de Escola”, e foi lançada na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), no dia 28 de novembro.
Com fotografias e narrativas, o capítulo foi escrito pelo historiador em quatro anos. O capítulo conta a trajetória do biografado, além de como a Escola de 1º grau Nova Venécia (ex-Polivalente), se tornou EMEF Dr. Adalton Santos. “Comecei a ter contato com a família em 2021, foi um trabalho de pesquisa grande. Na verdade, eu já havia escrito um artigo sobre o Dr. Adalton Santos, para o Jornal A Notícia, e foi a partir daí, que surgiu o convite, para que eu participasse desta obra”, explica Piva.
O livro tem um total de mais de 250 páginas, e traz biografias, além do já citado, de Albuíno Cunha de Azevedo, Cleber Maciel, Darcy Castello de Mendonça, Deusdedit Baptista, Filogônio Barbosa de Aguiar, Joaquim Beato, Lino dos Santos Gomes, Lula Rocha, Maria Verônica da Pas, Nilton Gomes, todos personagens negros, que fizeram curso superior e tiveram relevantes histórias de vida.
A obra é uma iniciativa da Unidade Federal do Espírito Santo (UFES), e faz parte do projeto Africanidades Transatlânticas, com realização do Governo do Estado.
O volume tem organização de Oswaldo Martins de Oliveira, Ademildo Gomes e Cilmar Franceschetto, e textos de 20 autores.

Lançamento
O pré-lançamento do livro aconteceu no dia 28 de novembro, na Universidade Federal do Espírito Santo e o lançamento ocorreu na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), no último dia 04.
O livro está sendo distribuído gratuitamente pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. E também será disponibilizado, juntamente com outros livros da Coleção Canaã, em formato PDF no site: https://ape.es.gov.br/colecao-canaa

Agradecimentos
“Quero agradecer à Secretaria Municipal de Educação, na pessoa do secretário, professor Rômulo Delboni, e toda equipe da SEME-NV e a nossa Diretora na EMEF Dr. Adalton Santos, professora Edna Chiste e demais colegas professores que tem nos apoiado desde quando iniciamos essa pesquisa e começamos abordar a memória do patrono de nossa escola em 2021. Destaco também que, a pesquisa biográfica sobre o Dr. Adalton deu origem a um projeto, intitulado “Ao Mestre, com Carinho!” que, desde 2021, desenvolvemos com os alunos, por meio de palestras e atividades avaliativas multidisciplinares, visando tirar o véu do esquecimento sobre o nosso patrono escolar, enfatizando sua trajetória de representatividade e superação do racismo, além da própria identidade escolar, fazendo as novas gerações conhecerem quem foi o Dr. Adalton Santos. Também ressalto que, a pesquisa biográfica continua e, o próximo objetivo é a publicação de um livro biográfico sobre o Dr. Adalton que já começamos a escrever e pretendemos ver publicado até 2027.
DR. ADALTON SANTOS
Considerado o primeiro juiz de Direito negro a atuar no Espírito Santo, Adalto santos, nasceu em 1919 em Bom Jesus do Itabapoana (RJ) no seio de uma família afrobrasileira de origem humilde. Com menos de um ano de vida foi levado para Castelo (ES), onde cresceu sob os cuidados da avó materna. Poliglota, se destacando na escola, tornou-se professor, lecionando, dentre outras, as disciplinas de português, inglês e francês. Continuando sua formação acadêmica formou-se bacharel em Direito no ano de 1953. Nesta época, além continuar lecionando, atuou como advogado e promotor de justiça. Em 1958 entra para magistratura capixaba tornando-se o primeiro juiz negro do ES. Foi casado com Dona Domícia Daniel dos Santos com teve sete filhos: cinco homens e duas mulheres. Em meados de 1960 foi transferido para comarca de Nova Venécia, onde passou a residir com toda sua família e, além de atuar como juiz no Fórum Ubaldo Ramalhete Maia, lecionou no Colégio Veneciano e no Estadual. Permanecendo em Nova Venécia por quase cinco anos, foi transferido para Castelo no início de 1965. Faleceu São Paulo em 1971, em decorrência de problemas de saúde, aos 51 anos, sendo sepultado em Vila Velha, cidade onde residia e também atuava como professor e juiz na época. Deixou um legado de resistência e superação do racismo sendo exemplo para todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo, principalmente entre a juventude veneciana daquela época, por esta razão, desde 1984 tornou-se patrono da antiga escola Polivalente de Nova Venécia. Também, desde 1971, tornou-se nome de uma rua no bairro Niterói em Castelo e, em 1979, de uma Avenida no bairro de Itapoã em Vila Velha, onde ainda residem parte de seus familiares. Rogério Frigerio Piva, 07/12/2025.







