“Eu vou lutar para que crime praticado por político seja hediondo”, diz Contarato

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O delegado e candidato a senador, Fabiano Contarato (REDE), esteve ontem em Nova Venécia, sua cidade natal, para fazer campanha.

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Fabiano tem apresentado um crescimento muito grande nas últimas pesquisas e isso tem o motivado a andar ainda mais, apresentando suas propostas à população.

Defensor de uma renovação na classe política, o candidato esteve na Rede Notícia na tarde de ontem e concedeu entrevista, exclusiva, para A Notícia. Confira:

Motivação

“Eu tenho uma história de 26 anos como delegado de Polícia e vou completar 20 anos que leciono aulas para o curso de Direito, e sempre me angustiou quando eu me deparei com a Legislação do Código de Trânsito Brasileiro, que é extremamente falha. As famílias me faziam questionamentos que quem deveria responder era o Congresso Nacional. São perguntas que, infelizmente, vinham por falha da Legislação, mas, também, porque o Congresso Nacional banaliza a vida humana, e eu estava incomodado com esse tipo de comportamento. Eu gosto muito de citar Martin Luther King, porque ele diz que o que mais assusta não é a ousadia dos ruins, mas a omissão dos bons. Já basta de você ser um brasileiro ético, com comportamento moral, cumpridor de suas obrigações, mas omisso. Hoje, eu convoco as pessoas de bem a entrar na política, porque ela só muda com o nosso comportamento, renovando ela. Eu resolvi me candidatar, porque eu entendo que a política tem que ser ética, compromisso, boas ideias, bons valores, e acima de tudo, porque eu, assim como a sociedade, estou cansado com os mesmos resultados, mas nessa vida de mão dupla, o eleitor também tem que mudar, tem que entender que o voto é a demonstração sublime da democracia. É o voto que vai garantir a ele a geração de emprego e renda, a saúde de qualidade, a educação pública de qualidade. Ele tem que parar de ter uma visão de toma lá, dá cá, ou “o que eu vou ganhar votando em você?”, e entender que o voto tem que ser do interesse coletivo. Isso que me instigou a me submeter à aprovação da sociedade no próximo domingo”.

Propostas

“No Brasil, vigora o sistema bicameral. Nós temos a Câmara dos Deputados Federais, em que sua representatividade é proporcional. São 10 representantes capixabas, enquanto em São Paulo, tem 70, por exemplo. Isso faz com que o Espírito Santo não tenha uma voz que tem um feedback. No Senado, a representatividade é igualitária, sendo três para cada estado. Então, você tem como ter uma atuação mais proativa. Passou da hora do Espírito Santo ter senadores que demonstraram mais coragem e serem mais destemidos. Passou da hora do Espírito Santo exercer um papel de protagonista no Senado. É lá que se passam decisões importantíssimas, não só na elaboração de leis, mas é lá que precisamos fazer uma revisão do código tributário periodicamente, e isso não é feito. É lá que se faz sabatina dos ministros do Supremo Tribunal Federal e você nunca vê ninguém vetando nenhum nome. É lá que você faz sabatina para o Ministro do Tribunal de Contas da União. É lá que você faz sabatina para aprovar o nome do Presidente do Banco Central, que vai reger a economia do País. Hoje, o que poderia trazer para os municípios? Primeiro, eu não olho com bons olhos essa conduta tão somente de buscar emendas parlamentares para os municípios, porque acaba sendo um instrumento de barganha entre o município e o deputado federal e o senador. Eu acho que o que tem que ter são medidas efetivas para o fortalecimento dos municípios, com receita própria. Se for da vontade de Deus e da população, eu vou lutar pela reformulação do Pacto Federativo. A Constituição Federal determina que o que for arrecadado no Estado, tem que ser restituído ao Estado. Então, por exemplo, em 2016 a União veio ao Espírito Santo e recolheu em imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas e em imposto sob produtos industrializados, R$ 12,5 bilhões, mas só devolveu ao Estado, R$ 4,48 bilhões, ou seja, um terço do que deveria, efetivamente, restituir. Eu estando lá, vou lutar para que essa restituição seja próxima ao integral, porque aí sim, você fortalece os municípios para que eles tenham essas receitas para gerir e dar conta aqueles serviços essenciais que já são garantidos na Constituição. Eu fico triste quando os políticos levantam como bandeira que suas prioridades são saúde, educação e segurança, porque isso não está na Constituição desde 1988. Se você pegar no artigo 9º, está falando que a saúde pública é direito de todos e dever do Estado, mas nós temos essa falência na saúde. Mas como mudar isso? Aumenta o percentual, porque lá está falando que 15% da recente corrente líquida da União, 12% do Estado e 15% do município, tem que ser investido na saúde pública. Esse percentual é mínimo, é pequeno. Tem que aumentar. Como vamos fazer isso? Temos que estar no Senado, lutando para que aumente esse percentual. Tem que lutar por melhorias na educação, de preferência, a pública em tempo integral, para você melhorar a qualidade do ensino público. Tem que gerar emprego e renda, porque hoje temos um problema muito sério. Antes, não tínhamos a possibilidade de o jovem fazer uma faculdade, mas agora, já melhorou bastante, só que agora estamos nos deparando com outro problema, porque ele se forma, mas não tem a oportunidade de emprego. Tem que gerar emprego e estimular o primeiro emprego para quem já fez uma graduação. Isso tudo tem que ser reformulado e revisto. Muita coisa tem que ser revista. O próprio artigo 7º, inciso quatro, da Constituição, está estabelecido que a União tem que estabelecer um salário mínimo digno, capaz de suprir as suas necessidades e da família, principalmente, na educação, habitação, moradia, lazer, higiene e vestuário, e nós temos esse mísero salário mínimo, enquanto que em um Senado Federal, garçons, com todo respeito à classe à qual eu louvo muito, ganham até R$ 15 mil por mês. Precisamos corrigir essa desigualdade. Vivemos no Brasil, um Estado Democrático de Direito, que traz como premissa que todos são iguais perante a lei, mas que estamos longe de ter essa igualdade, e é para tentar buscar essa forma igualitária que estou colocando meu nome para que a sociedade vote e aí, quem sabe, nós possamos mudar e ter uma participação mais efetiva no Senado Federal”.

Pesquisas

“Eu estou muito feliz. Tenho foco. Eu não gosto de olhar pelo retrovisor. Estou focando em uma das duas vagas e eu tenho fé em Deus que a população vai acordar, vai despertar, porque passou da hora de virarmos essa página da velha política, porque ela, no Brasil, não pode ser profissão. Eu amo ser delegado há 27 anos e amo ser professor há quase 20 anos. Mandato tem um prazo de validade. Eu vejo de forma bastante positiva, porque isso é um sinal de que a população está acordando e está cansada do mesmo, com o mesmo resultado. Há muito trabalho a fazer. Tem muito caminho a ser percorrido até o domingo e nós estamos lutando para conquistar, cada vez mais, o interesse da população, para que ela possa aderir o nosso projeto, de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária, onde todos seremos tratados de forma igual e, quem sabe um dia, corrigindo essa desigualdade que há hoje, porque no Brasil, uns são mais iguais do que os outros. Se você traçar o perfil socioeconômico de quem está preso, existem pobres, afro descentes e semianalfabetos, quando os crimes com maiores prejuízos são praticados por políticos. Eu vou lutar para que crime praticado por político, tem que ser crime hediondo. Isso tem que ser estabelecido, porque dinheiro público não é de ninguém, é de todo mundo, e a responsabilidade é muito maior”.

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