CNJ investiga desembargadora do ES por mensagens com ataques a ministros do STF

Magistrados denunciaram ao CNJ que a desembargadora compartilhava vídeos de cunho extremista e usava linguagem ofensiva e intimidadora contra colegas

Edifício-sede do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região, localizado na Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 1245, Enseada do Suá, em Vitória (ES). Crédito: TRT
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A vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, é alvo de investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por mensagens enviadas em um grupo de WhatsApp que reúne magistrados trabalhistas. O conteúdo, de cunho político, inclui críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ofensas a colegas, com termos como “gentalha” e “esquerdistas de merda”.

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Parte de mensagens enviadas no grupo de WhatsApp Amatra-17. Crédito: Reprodução
Mensagens atribuídas à desembargadora. Crédito: Reprodução

A Reclamação Disciplinar apresentada ao CNJ afirma que a desembargadora compartilhou vídeos de caráter extremista e publicações em tom de apologia à extrema direita, além de utilizar linguagem considerada agressiva e incompatível com a magistratura. Segundo os denunciantes, suas mensagens instigariam, ainda que de forma subliminar, a população contra o Estado Democrático de Direito.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, considerou as denúncias graves, mas rejeitou o pedido de afastamento liminar da desembargadora. Para ele, apesar do conteúdo, as mensagens foram enviadas em lista particular de mensageiro eletrônico. Ainda assim, determinou prazo de 15 dias para que Chamberlain se manifeste sobre o caso.

Em nota, a defesa da magistrada afirmou que ela “sempre agiu de forma imparcial e isenta, com respeito incondicional aos valores democráticos” e classificou os pedidos de afastamento como tentativa de interferência política no processo de escolha da futura presidência do TRT-17. “O pedido para que a desembargadora seja impedida de disputar a presidência do TRT carece de fundamento jurídico e revela verdadeira tentativa de interferência na autonomia do Tribunal”, destacou o advogado Ludgero Liberato.

Os autores da representação pediram que Marise Chamberlain seja afastada de funções diretivas e, ao final do processo, punida com aposentadoria compulsória ou impedimento de assumir cargos de direção. A desembargadora, por ser uma das mais antigas da Corte, é considerada a provável próxima presidente do TRT-17, eleição prevista para outubro de 2026. Em um dos áudios compartilhados no grupo, ela chega a afirmar que, quando assumir a presidência, “a direita já tratorou a esquerda toda”.

O procedimento pode resultar na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que pode levar desde o arquivamento até penas como advertência ou aposentadoria compulsória. Enquanto isso, Chamberlain segue no cargo de vice-presidente e no centro de uma disputa que divide aliados e críticos dentro e fora da Corte.

Leia, na íntegra, a nota do advogado Ludgero Liberato, que faz a defesa da desembargadora na Reclamação Disciplinar no CNJ:

“A defesa da Des. Marise Chamberlain informou que apresentará defesa escrita, nos autos, demonstrando que a magistrada sempre agiu de forma imparcial e isenta, com respeito incondicional aos valores democráticos.

Destacou ainda que o pedido para que a Desembargadora seja impedida de disputar a presidência do TRT, formulado há mais de um ano da data da eleição, carece de fundamento jurídico e revela verdadeira tentativa de interferência na autonomia do Tribunal Regional do Trabalho a quem competirá, no momento adequado, eleger seus integrantes.”

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