ATUALIZADA – Juro do cartão de crédito bate recorde em novembro e chega a 482,1% ao ano

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LAIS ALEGRETTI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Os juros do cartão de crédito rotativo, que o governo promete reduzir à metade, alcançaram 482,1% ao ano em novembro. Esse é o maior patamar para essa modalidade de crédito desde que o Banco Central começou a divulgá-la, em março de 2011.
O rotativo é a linha emergencial utilizada por quem não consegue pagar o valor integral da fatura, conhecida por ser uma modalidade muito cara. Em outubro, os juros dessa linha estavam em 475,8% ao ano.
Os juros do cheque especial também bateram recorde: chegaram a 330,7% ao ano em novembro, a maior taxa da série história do Banco Central, que começa em 1994. Em outubro, a taxa estava em 328,5%. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (23) pelo BC.
O governo federal anunciou que quer reduzir os juros do rotativo. A partir do fim de março, usuários de cartão de crédito não poderão passar mais de 30 dias no rotativo. Depois desse prazo, o cliente terá a dívida automaticamente parcelada.
A taxa de juros para o parcelamento da fatura do cartão foi de 155% ao ano em novembro.
A mudança nas regras foi anunciada pelo presidente Michel Temer nesta quinta-feira (22), mas depende de regulamentação no CMN (Conselho Monetário Nacional). Com a medida, bancos e o governo esperam que as taxas do rotativo caiam dos atuais 450% ao ano para metade desse patamar.
O Banco Central costuma destacar que os juros cobrados no rotativo do cartão de crédito e no cheque especial são caros e devem ser usados com cautela.
“O crédito rotativo é um crédito para ser tomado em situações pontuais. É um crédito emergencial, que tem de ser tomado com prazo curto. É algo imediato, mas esse conforto tem que ser visto para essas ocasiões. Ele é acompanhado por um custo mais alto nessas modalidades”, afirmou o chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel.
EMPRÉSTIMOS
Depois de seis meses de recuo, o saldo das operações de crédito teve uma elevação mensal de 0,3% em novembro e somou R$ 3,1 bilhões. Apesar da alta no mês, em 12 meses o crédito continua a cair, com um recuo de 2,3%.
“O crédito segue em retração, mas há sinais de alguma acomodação desse movimento”, avaliou Maciel.
O Banco Central, que esperava uma redução de 2% no saldo de crédito no ano, agora revisou a previsão para um recuo de 3%. Será a primeira vez que o Banco Central registra uma retração anual do saldo de crédito.
“[O resultado] está associado a conjuntura econômica, sobretudo a retração da atividade econômica no ano”, afirmou Maciel.
A retração do crédito está associada principalmente às empresas. Em 12 meses, o saldo dos empréstimos à pessoa jurídica tem um recuo de 7,2%. No mesmo período, o saldo de crédito para pessoa física cresceu 3,2%.
O saldo de crédito teve uma alta de 6,7% em 2015. Para 2017, o Banco Central informou que espera um crescimento de 2%.
INADIMPLÊNCIA
Maciel classificou como “comportada” a inadimplência deste ano. A inadimplência total, que considera pessoas físicas e empresas, acumula uma alta de 0,4% neste ano. Para as pessoas jurídicas, a alta é de 0,9%. Para as pessoas físicas, foi registrada uma retração de 0,1%.
“Tivemos uma inadimplência comportada, considerando quadro adverso da economia. Tivemos um bom comportamento da inadimplência em 2016”, disse.
As taxas de juros, de forma geral, ficaram em 33% ao ano em novembro e tiveram um recuo de 0,3% no mês. Segundo Maciel, contribuíram para esse movimento o comportamento da inadimplência e a redução da Selic, a taxa básica de juros. No ano, no entanto, as taxas de juros acumulam uma alta de 3,2%.

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Fonte: FolhaPress

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