Arte, fé e solidariedade transformam palitos de picolé em quadros para a celebração de Corpus Christi

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O que poderia ter sido apenas mais um prejuízo causado pelas fortes chuvas que atingiram a cidade transformou-se em uma iniciativa de fé, criatividade e união comunitária. A ideia nasceu com o cabeleireiro João Evangelista Rossim após um episódio de inundação na Sorveteira Veneciana, de propriedade dos amigos Neuza e Fernando Campana.

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Entre os materiais danificados pela enchente estavam milhares de palitos de picolé que seriam descartados. Sensibilizado com a situação, João recolheu os palitos e os colocou para secar, inicialmente pensando em utilizá-los na confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi. A partir daí surgiu uma nova proposta: reunir voluntários para produzir quadros artísticos utilizando o material reaproveitado.

O projeto resultou na criação de 12 quadros, cada um confeccionado com aproximadamente 1.500 palitos de picolé. O trabalho artesanal exige entre três e cinco horas de dedicação por peça. Sobre essas estruturas foram produzidos desenhos que retratam momentos marcantes da vida de Jesus Cristo.

» Evangelista conta com apoio de diversos voluntários na produção dos quadros, entre eles, artesã Maria Alice Capucho

Para a pintura, os participantes utilizaram uma técnica especial desenvolvida sob a orientação da artesã Maria Alice Capucho. Os materiais empregados incluem betume, cera, café solúvel, água e cola, conferindo aos quadros um aspecto único e expressivo.

Desde o dia 5 de maio, diversos voluntários têm participado da confecção e pintura das obras. Além do resultado artístico, a experiência proporcionou a descoberta de novos talentos e fortaleceu os laços entre os participantes.

Segundo Evangelista, todo o processo tem sido uma verdadeira catequese vivenciada na prática. “Tudo isso foi e está sendo uma catequese para todos nós e será também para aqueles que visitarem os tapetes”, destaca.

O trabalho de preparação para Corpus Christi também contou com momentos de formação. Neste ano, representantes das três paróquias de Nova Venécia participaram de uma visita ao Instituto Cultural Irmã Vicenza, em Castelo, coordenado por Luciano Travaglia. Na ocasião, o grupo aprimorou conhecimentos e aprendeu novas técnicas que já serão aplicadas na confecção dos tapetes deste ano.

Os quadros ficarão expostos na Rua Salvador Toscano durante as celebrações de Corpus Christi, permitindo que moradores e visitantes apreciem o resultado desse trabalho coletivo. Após a exposição, a intenção é que as obras sejam preservadas na Paróquia São Marcos, mantendo viva a memória de uma iniciativa que uniu arte, sustentabilidade, fé e comunidade.

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