Aliança de moeda antiga vira fonte de renda alternativa

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O ourives, Walfrido Faria Neto, mostra as moedas com que transforma em alianças

jhonPar do produto é vendido a partir de R$ 200,00

Quando a crise bate à porta, o brasileiro sempre dá o seu jeito de driblá-la e buscar novas alternativas como fonte de renda. É o caso do ourives veneciano, Walfrido Faria Neto, de 30 anos.
Há menos de um ano, ele recebeu um cliente em sua joalheria que lhe indicou um trabalho inovador, fazendo o uso de moedas antigas para a confecção de alianças. “Um dia, um cliente chegou aqui e me questionou se eu não trabalhava com moedas antigas. Então, despertei a curiosidade de manusear o material. Adquiri algumas moedas e a princípio, tive erros, mas chegou o momento em que eu consegui fazer uma e vi que o acabamento ficava bem parecido com o ouro. É um material que não leva ouro. Esse é um bronze alumínio, ficando bem parecido”, disse.
Apesar do acabamento parecido, Neto afirmou que não tenta enganar seus clientes. “Eu explico para eles que esse é um material que requer uma manutenção e que, às vezes, oxida. É fácil de lustrar. A manutenção pode ser feita em casa com creme dental, batom, Minâncora ou lustra metais, que você compra em supermercados”, frisou.
Segundo ele, o seu novo produto tem sido bem mais acessível do que o ouro. “O ouro é bem mais caro. O par de aliança de moeda sai a partir de R$ 200,00, o modelo mais simples, mas varia bastante com o que o cliente quer. Já o ouro, pode sair até a R$ 300,00, a grama”, afirmou.
Neto disse que leva cerca de cinco horas para produzir um par de aliança e ressaltou que não é qualquer moeda que se usa. “Tem a moeda certa. São moedas de 1940 a 1950, que foi o período que eles fizeram elas de bronze alumínio, que é um material melhor”.
Para conseguir as moedas, que são bem antigas, ele revelou ter dificuldades. “São muito raras. Geralmente, só se encontra com colecionadores, então é difícil de achar”, disse.
Para aprender a produzir as alianças, Neto disse que buscou ajuda na internet. “Vi vídeos, mas você tem que saber o que está fazendo, porque você estoura a moeda. Às vezes, a moeda te estressa demais, então ela acaba rompendo”.
Para moldar, ele afirmou que usa somente martelo e furadeira. “Você molda a aliança de acordo com que vai golpeando. Já para deixá-la brilhando, eu lixo e depois venho com o polimento. O acabamento que eu dou em uma joia de moeda é o mesmo que faço em uma de ouro ou prata”.
Segundo ele, que tem oito anos de profissão, o produto teve papel importante nessa sua nova caminhada. “Como eu estou começando, ainda é muito difícil, então, temos sempre que buscar alternativas para termos um lucro para fazer girar o investimento. Esse novo produto teve um papel importante nessa minha caminhada, porque tem pouco menos de um ano que estou com a minha oficina, mas todo dia você aprende algo novo. Podemos fazer a mesma joia todos os dias, mas todos os dias você aprende uma coisa, porque são detalhes”.
Neto ressaltou que a margem de lucro do produto tem sido boa para ele. “Esses dias, uma moça trouxe cerca de 300 moedas. Eu paguei R$ 300,00. Então, eu nem cobro a moeda na hora da venda. São R$ 200,00 de mão de obra. Pelo custo dela, a margem de lucro é boa. É a mesma coisa de como se eu fizesse uma joia de ouro ou prata. Para não ficar “parado”, eu inclui esse trabalho no meu cotidiano, pois temos sempre que ficar de olho no mercado. Se aparecer uma outra alternativa de ganhar dinheiro nesse ramo, nós temos que tentar abraçar isso”, finalizou.

Walfrido Faria Neto é ourives há oito anos e trabalha com alianças de moedas há oito meses
Walfrido Faria Neto é ourives há oito anos e trabalha com alianças de moedas há oito meses

“Eu inclui esse trabalho no meu cotidiano, pois temos sempre que ficar de olho no mercado”

 

 

Serviço:
Neto Joia – Oficina de Joias
99938-2470 / 3752-7171
Rua Alagoas, 155, bairro Margareth
(Em frente ao Posto de Saúde)

 

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