Aficcionados por coleções

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CARIMBO 1Paixão é paixão e não se discute. É igual a gosto, cada um tem o seu. Juntar, comprar e trocar objetos é um dos prazeres dos entrevistados de hoje. Confira!

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O maior objetivo de um colecionador é completar a coleção. Enquanto não conseguem, eles dedicam um tempinho da vida, atrás de suas paixões. Em tempos em que a internet domina parte da rotina da humanidade, no ambiente de trabalho ou nos momentos de lazer, há quem prefira dedicar o tempo a hábitos mais palpáveis, como o de colecionar relíquias. Sejam elas moedas, selos, vinis, quadrinhos, ou plantas, como bonsais.
Para ser um colecionador, é preciso gostar muito. Às vezes é necessário desembolsar uma boa quantia de dinheiro, e outras, ter paciência para garimpar o objeto tão almejado.
Para mostras esse mundo dos apaixonados por coleções, a matéria de hoje é sobre o assunto e conta um pouco da história dos colecionadores.

38 anos de acervo

Tudo começou aos oito anos de idade, quando a mãe do Héber Ziviani sugeriu ao filho, que colecionasse selo postal. O menino gostou da ideia e hoje, já são 38 anos dedicados ao acervo, que somam mais de 7 mil exemplares, fora os repetidos. O administrador, que comprou o primeiro álbum em 1978, hoje já acumula cinco.
Como uma das raridades, Héber tem o postal de número 4, emitido no Brasil em 1845.
“Este é o selo com a data mais antiga que tenho. Já participei de leilão, que quando o valor chegou a R$ 800, precisei desistir da compra, mas queria muito, claro”, diz.
De acordo com Héber, a coleção dele chega a ter 90 anos completos de selos emitidos no
País. “Queria demais o número 1, deve custar perto dos R$ 3 mil, é o desejo de qualquer colecionador, sem dúvida”, fala.
O administrador veneciano possui um dos mais completos selos postais do Estado.

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» Coleção de Héber chega a ter 90 anos completos de selos emitidos no País

De selo para bonsai

Ele coleciona várias coisas. O arquivo do auxiliar administrativo, Estevão Gomes, 48, é variado. Tem bonsai, caneta, chaveiro, cartão telefônico, moedas, cédulas de dinheiro e selo.
“Desde 14 anos de idade, quando eu trabalhava no cartório, comecei a me interessar pelos selos. Virei colecionador e admirador, tenho muitos,uns 5 mil”, diz. A paixão do então
menino por colecionar objetos expandiu, e hoje, o que Estevão mais valoriza entre seus hobbies, é a coleção que tem de bonsais, possuindo 150 unidades em casa.
“É complicado colecionar esta planta, ocupa espaço. Se eu pudesse teria muito mais, só que não tenho lugar para ter a coleção, do tamanho que eu gostaria de ter”, fala.
Para completar a dedicação pelas miniaturas, é o próprio Estevão quem realiza todo plantio
dos bonsais de sua casa.
“Faço questão de cuidar de tudo, até porque, estes comprados na internet, não são os bonsais verdadeiros. Minha coleção é original, não compro, eu mesmo produzo tudo”, revela.

» O arquivo de Estevão Gomes é variado, indo de bonsai, a caneta, chaveiro, cartão telefônico, moedas, cédulas de dinheiro e selo
» O arquivo de Estevão Gomes é variado, indo de bonsai, a caneta, chaveiro,
cartão telefônico, moedas, cédulas de dinheiro e selo

De gibis a outras coleções

Uma coleção que começou há 18 anos, e hoje, 5 mil cartões telefônicos totalizam o álbum.
As moedas e cédulas têm 30 anos que fazem parte da vida do colecionador.
Ainda, uma cédula de 1774, da época em que o dinheiro brasileiro ainda era fabricado em Portugal. Tudo isso pertence ao militar José Alfredo Firme, 41, que também é dono de um
catálogo das moedas das Olimpíadas Rio 2016.
Mesmo casado, pai de dois filhos, Firme faz questão também de colecionar gibis, tendo
exemplares com mais de 60 anos, como a do superherói Tex.
“É um hobbie para mim. Gosto de mostrar minhas coleções, para incentivar as pessoas a
também fazer a sua, é interessante”, fala.

» Entre as coleções de Firme, os gibis têm lugar garantido
» Entre as coleções de Firme, os gibis têm lugar garantido

Melissa e carrinhos

As coleções dos moradores de São Mateus (Guriri), Carolina Lomando Cañete, 40 e de João Paulo Barbosa, 35, são de deixar qualquer menina ou menino apaixonados.
Mas o acervo dos dois não atinge somente este público. A mulherada vai amar e muito marmanjão também. Ela coleciona sandálias Melissa e ele, carros em miniaturas. Gostou?
Carolina começou com a mania por acumular Melissas, há seis anos, mas já era algo que ela gostava desde a infância. Hoje, no closet da professora, tem mais de 70 sandálias, e detalhe: ela consegue usar todas.
“Tenho muito carinho por elas e vou usando, cada dia calço uma. Quem convive
comigo sempre me pergunta quantos calçados deste tenho”, brinca.
A paixão da Carolina é tanta, que no dia do seu casamento, o figurino compunha com uma Melissa. E o João Paulo? “Também, ele casou de Melissa masculina, foi emocionante”, diz.
Sendo engenheiro mecânico, João Paulo é fã de carros. E como ele mesmo afirmou, já que
não pode comprar todos e nem ter o utilitário de seus sonhos, o jeito foi colecionar miniaturas de automóveis.
“Um dos que gosto mais é o Fiat 147, por causa do meu pai, ele teve um. Tem também o Corsa Wind, que foi o primeiro carro que tive. O Mustang Shelby 67 eu tenho sonho de tê-lo, e como não dá para comprar, tenho todas estas miniaturas”, fala João Paulo.
Na coleção do rapaz, um DeLorean, famoso carro do filme De Volta para o Futuro, também o Heebie, vindo da telona cinematográfica com o filme, Se meu Fusca Falasse, ficam todos expostos em estantes da casa, somando mais de 400 unidades. “Guindastes, empilhadeiras e muitos outros fazem parte da minha coleção. Ganho alguns e outros compro em viagens que faço mundo afora. As miniaturas têm preços variados, alguns custam R$200, outros
mais. Mas para mim, o valor é sentimental, minha paixão”, revela.

» Entre as miniaturas de João Paulo, o famoso DeLorean, do filme De Volta para o Futuro
» Entre as miniaturas de João Paulo, o famoso DeLorean, do filme De Volta para o Futuro
» Carolina tem mais de 70 melissas e usa todas
» Carolina tem mais de 70 melissas e usa todas

Coloca na vitrola e deixa tocar

Há quem ainda curta o famoso bolachão.
Muita gente que está lendo está matéria, nem tinha nascido quando o vinil era o maior
barato, e só existiam eles. Nada de CD, nem pen drive e muito menos bluetooth. Com o passar do tempo, eles caíram de moda e saíram das lojas convencionais. Só que o valor sentimental e o prazer de ouvir um bolachão no toca disco, vence a tecnologia para muitos. Quando o disco acabar, virar o lado para tocar o outro, para muitos não caiu de moda. É o caso do jornalista e radialista Carlos Alberto Malta, 69, que tem uma coleção com cerca de 500 discos de vinil (78 – 33 e 45 rotações).
“Tenho várias relíquias, mas a que mais gosto é “Desfile de Campeãs”, com Jamelão
e Escolas de Samba (1961). Não empresto nenhum, sei que não voltam. Tenho muito ciúme e cuidado com meus discos, limpo cada unidade e no momento, estou recatalogando todos”,
fala Malta.
O jornalista relata que começou com o acervo em 1968, quando iniciou a trabalhar na extinta Super Rádio Vitória AM.
Entre as preciosidades do morador de Nova Venécia, o vinil de maior valor sentimental pra ele, é de Nelson Cavaquinho, gravado na Odeon em 1973 e que tem na contra capa, uma entrevista com o cantor e o parceiro, Guilherme de Brito.
“Já comprei muitos discos, mas hoje em dia, minha coleção vai aumentando devido aos
presentes de amigos, inclusive, se alguém tiver um para me oferecer, vou gostar”, diverte.

» Malta coleciona relíquias e faz questão de ter todas catalogadas
» Malta coleciona relíquias e faz questão de ter todas catalogadas

DNA de pai para filho

A paixão do Vanberto Lemos, 37, veio no DNA. José Vanberto é foi o inspirador do filho, com a coleção de cédulas de dinheiro.
O álbum do pai foi passado para, o ainda menino, e a genética então, fez sua parte. Hoje, o mecânico de ar condicionado automotivo têm várias cédulas chamadas flor de estampa,
que são aquelas notas que nunca entraram em circulação.
Um de seus orgulhos é a nota de Um Mil Reis, de 1923, dá época em que o dinheiro brasileiro ainda possuía a assinatura de quem trabalhava no banco, não havia chancela.
“Comecei mexendo na coleção do meu pai, quando eu tinha uns 10 anos, fui gostando e estou nisso até hoje”, fala.
Beto, como é mais conhecido, possui coleção, cédulas com mesmo número de série e algumas exóticas, que são as que vêm com defeito de fabricação, o que vale muito para os
colecionadores. Notas alemãs, americanas, bolivianas e orientais, também não faltam
no álbum do mecânico de ar condicionado.
“Mas as que mais gosto mesmo são as cédulas brasileiras, nosso dinheiro sempre foi o mais lindo e o mais bem feito. A cédula de um real, por exemplo, é linda”, explica.
Além da coleção de cédulas, Beto tem a de moedas, inclusive, uma raridade para os colecionadores, segundo ele, que é a moeda de um real, em homenagem aos Direitos
Humanos. Para completar, o mecânico tem o álbum completo das moedas das Olimpíadas Rio 2016. “É paixão, só quem coleciona algo, sabe do que estou falando”, cita.

» Para Beto, as cédulas mais bonitas e bem produzidas, são as brasileiras
» Para Beto, as cédulas mais bonitas e bem produzidas, são as brasileiras
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