Uma árvore plantada há mais de dez anos por um agricultor aposentado, hoje falecido, acabou de se transformar em uma pequena história de preservação ambiental e memória afetiva em Boa Esperança, no Noroeste do Espírito Santo. A planta, um ipê-felpudo, espécie considerada rara na região, chama a atenção pelo foramto de suas flores.

A professora Vânia Marçal Cristo, de 43 anos, contou à Rede Notícia que o pai, Wantuil José Cristo, sempre teve paixão por plantas. Agricultor aposentado que seguia trabalhando na roça normalmente, ele morreu em novembro de 2025, aos 72 anos, vítima de um AVC, no momento em que estava com os filtros de irrigação na mão.
“Meu pai sempre foi um amante das plantas. Sempre que achava uma semente, ele levava para casa, plantava em uma sacolinha, esperava crescer e depois distribuía para pessoas conhecidas ou plantava em nossa propriedade mesmo”, contou Vania.
Foi assim que surgiu a árvore que, anos depois, se tornaria motivo de emoção para a família. Quando construíram uma usina solar na propriedade, o pai escolheu o local onde ficariam as placas e deixou cortar até os pés de acerola que estavam ali. Uma árvore, porém, ele fez questão de preservar.

“Quando fizemos a usina solar, ele escolheu o lugar para colocar as placas e deixou cortar os pés de acerola. Porém, esse pé de árvore ele não deixou cortar. Ele ficou lá”, relembrou Vania.
Depois da morte do pai, em novembro de 2025, a família plantou as diversas mudas que ele havia deixado prontas. A árvore que já estava lá, cuja espécie ninguém sabia identificar, permaneceu no local. Chegou a ser cogitado até cortá-la, mas a ideia acabou sendo deixada de lado.
A mãe de Vânia notou que crianças que passavam voltando da escola paravam para colher sementinhas caídas da árvore, e resolveu ir até lá para entender o que estava acontecendo.
“Quando foi ontem, dia 2 de setembro, minha mãe viu as crianças que passam da escola pegando as sementinhas, e ela foi lá ver. Me mostrou, e fui pesquisar sobre a planta. Descobri que é um ipê-felpudo, que não é comum por aqui”, contou Vania.
O ipê-felpudo, cujo nome científico é Zeyheria tuberculosa, é considerado uma espécie vulnerável de extinção na lista oficial de espécies ameaçadas do Brasil. Diferente de outros ipês, ele não tem flores grandes ou chamativas: produz pequenas flores de coloração marrom-amarelada, reunidas em cachos, o que chama atenção justamente pela discrição.

Diante da descoberta, Vania entrou em contato com a bióloga da Secretaria de Meio Ambiente do município, que orientou a família a levar as sementes até o viveiro municipal, já que a espécie ainda não existe no local, para que sejam produzidas novas mudas.
“Fiquei muito emocionada. Postei fotos em homenagem ao meu querido pai”, disse Vania.
Segundo ela, a árvore deve ter entre dez e quinze anos, mas a família não sabe ao certo onde o pai conseguiu a muda, acreditando que tenha sido em algum viveiro. Para Vânia, mais do que uma raridade botânica, a árvore agora representa a lembrança viva do pai. “É uma homenagem a ele, que amava plantas”, concluiu.








