Aqui está a transcrição revisada, com correção ortográfica e fluidez preservada:
Eu não tenho câncer. Eu estou com câncer. Ele tem data determinada para acabar. Ele vai acabar. E tudo mudou. Tudo mudou. Um dia eu pensei assim: a guerra é entre eu e ele. Eu não gosto de perder. Quem vai vencer sou eu.
Meu nome é Tainá, eu tenho 35 anos. Descobri o câncer de mama em julho de 2025. Foi no banho, no toque. Na hora em que passei a mão, senti algo diferente. E dali começou a nossa batalha.
Na segunda-feira, eu fui ao médico e ele me falou que eu poderia ficar tranquila, que era um cisto. Meu esposo questionou ele, e ele confirmou que era um cisto — era só tomar um remédio que iria secar aquela secreção e estava tudo ok.
Em um momento, encontrei uma mulher com quem comentei sobre isso, e ela me deu uma luz. Ela falou assim: não fica aqui, procure outro médico. Foi muito instantâneo. Falei com meu esposo e prontamente ele disse: vamos atrás de outro profissional.
Cheguei ao consultório. A doutora fez o exame, a ultrassonografia, pediu a mamografia e os demais exames necessários. E na ultrassonografia ela já viu que era suspeito — não era um cisto. Depois veio a biópsia. Logo após, o imuno-histoquímico: um triplo negativo, grau 3.
Foi bem intenso. Fomos a vários médicos e todos falavam: é agressivo. E me davam muitos encaminhamentos. Eu tinha que distribuir meus encaminhamentos por todo o Espírito Santo, porque era muito agressivo e estava crescendo muito rápido.
Consegui minha vaga no Santa Rita. Hoje estou na minha nona quimioterapia, de um total de 16. Logo após, vou fazer a cirurgia e a radioterapia.
Hoje eu estou muito bem, graças a Deus. A força da família, do meu esposo, tem sido essencial. Ele é o meu braço direito, o meu braço esquerdo. A família, a fé, a espiritualidade — é isso que me mantém forte.
Ouvir outras mulheres, ouvir casos, isso me trouxe muita força. Porque o que eu posso falar para as mulheres é: nós não somos o diagnóstico. Somos o que fazemos com o diagnóstico. E hoje eu estou muito bem, graças a Deus.
Hoje eu não estou trabalhando. Minha vida está normal. Me alimento muito bem. Faço atividade física. Minha vida sexual com meu parceiro é normal. Nada mudou. Nada muda. O que muda é que você tem que se tratar, se priorizar, se amar. Mas a vida segue. Está tudo normal.
Na primeira consulta com a minha oncologista, o momento que mais me marcou foi quando ela disse que eu não poderia ser mãe, porque eu passaria por um período de menopausa. Isso me afetou muito, porque eu descobri o meu câncer de mama com nove meses de casada. E o meu sonho sempre foi ser mãe. Então, quando ela me falou isso, foi para mim a parte mais difícil do tratamento. Não foram os quilos, nem os exames. Foi ver um pedaço do meu sonho sendo cancelado.
Não desista. Em hipótese alguma. Nem coloque esse pensamento na cabeça. É lutar, com garra, com força. Você vai vencer. Não somos o nosso diagnóstico. Somos o que fazemos com ele. Se cuidar, se amar. Não ter medo de contar para a família. Muitas mulheres pensam: não vou contar para a minha família porque minha mãe vai se abalar. Várias têm medo de machucar a família. Mas não. A sua família vai te apoiar. Ela não vai te excluir. Conte para a sua família. Se cuide, se ame.
O câncer tem cura. A cura vem da gente. A cura vem da força, do abraço, do cuidado.
Certa vez, uma pessoa chegou para mim e perguntou: mas você está com câncer mesmo? Eu falei: não sei não… por quê? E ela disse: mas você está tão bem! Eu fui na minha médica perguntar se eu poderia usar maquiagem, porque algumas pessoas pensam que temos que estar mal vestidas, sem maquiagem, sem o cabelo feito, sem cuidados. E não é assim. A vida continua. Continua mesmo.
Eu também deixo o meu recado para as pessoas que cuidam de quem está passando por uma situação como a minha. Uma parte difícil para mim foi ouvir de uma mulher: por que você deixou chegar nessa condição? Você não se tocava direito? São falas infelizes. Mas precisamos falar para quem cuida ou conversa com mulheres nessa condição: tenham cuidado. A gente não escolhe estar aqui. E isso é muito importante. Uma frase dessa, para quem está de fora, talvez não cause nada. Mas para nós, causa muito impacto. Tem que ter empatia. A gente não escolhe passar por isso. Uma frase dessas invalida tudo o que estamos vivendo, tudo pelo que lutamos. É como um balde de água fria. Não é assim. Eu me cuido. Se eu não me cuidasse, eu não estaria aqui. Eu não estaria ajudando.
O meu conselho é se amar, se cuidar. Porque, para cuidar dos outros, a gente precisa estar bem. Para fazer o que gosta, a gente precisa estar bem.
O Outubro Rosa se tornou, agora, uma festa para mim. Uma festa. O Outubro Rosa me trouxe voz. Eu sempre fui tão ativa, tão da comunicação, gosto de conversar. Nada é em vão. Nada é por acaso. Você vai falar, Tainá? O que você vai fazer? Eu estou aqui falando — porque, se hoje estou aqui, é porque ouvi alguém. Eu não vim aqui do nada; eu ouvi histórias. Então, o Outubro Rosa me representa muito. Eu sempre vou lutar por essa causa, sempre vou falar. Porque nada é por acaso. Eu vou lutar. Porque eu posso. Eu estou falando porque tem alguém para me ouvir.
Se quiser, posso também transformar essa transcrição em texto jornalístico, roteiro, legenda ou mensagem institucional.






